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As representações visuais foram utilizadas e também analisadas, reflectidas, tanto no design como nas ciências sociais ao longo dos seus percursos históricos. A reflexão faz levantar duas situações; o seu papel como ferramentas e a importância como linguagem e documentação. Enquanto ferramentas servem para registo, e é inerente à estrutura e à prática do trabalho quer dos cientistas sociais quer dos designers. Já no que corresponde à segunda situação, linguagem e documento, o percurso seguido pelos designers e pelos cientistas sociais separou-se nos anos 60 quando nas ciências sociais nomeadamente na antropologia e sociologia visuais se separou metodologicamente o fazer representações visuais,  construir documentação gráfica de suporte ao conhecimento, o examinar imagens visuais pré-existentes, no sentido de encontrar informação nas imagens sobre a sociedade, o colaborar com os vários actores sociais na construção de representações visuais (Banks, 2001, pp. 13-42) (Knowles & Sweetman, 2004, p. 30).

Apesar dos diferentes tipos de métodos visuais, qualquer um deles é passível de ser usado em investigação visual para procurar informação relacionada com a organização, interpretação e produção do material visual. Especificamente no campo do design de informação. Lengeler e Eppler num esforço de descrever, definir e compilar os diferentes métodos de visualização apresentaram um modelo sob a retórica narrativa de uma tabela periódica. Este modelo lógico permite de forma sistemática a observação e classificação exaustiva dos métodos. O modelo descrito possui duas vantagens, a de agregar um o território de conhecimento disperso, como é o da visualização de dados e apresentar-se sob a forma de uma compilação final de 100 elementos que permite a sua utilização prática no território da gestão (Lengler & Eppler, 2007).
Aparentemente, parece renascer um movimento de aproximação aos métodos visuais no design e às ciências sociais, por parte de uma geração recente de designers. Há uma consciência inerente no pensamento de (Buchanan, 1992) uma pulverização de práticas e abordagem intelectual afastada de investigação Conforme refere:
 “Apesar dos esforços para descobrir os fundamentos do design pensado nas belas artes, nas ciências naturais, ou mais recentemente, as ciências sociais, o design escapa a reducionismos e continua a ser uma actividade surpreendentemente flexível. Não há uma definição de design, capaz de cobrir adequadamente a diversidade de ideias e métodos agregados sob o mesmo rótulo os ramos da prática profissionalizada como o design industrial ou gráfico. Com efeito, a variedade de investigações apresentações em conferências, artigos de revistas, livros e sugerem que o design continua expandir-se em significados e relações, revela-se em dimensões inesperadas, quer na prática, quer na compreensão. Isto decorre da tendência do pensamento do design no século XX, pois temos visto o design crescer a partir de uma actividade comercial até à segmentação profissional afastada da investigação técnica e reconhecido agora como uma nova forma de arte liberal da cultura tecnológica.”
Já o trabalho de Judith Donath realça o papel da investigação, e apresenta a sua, é portanto uma aproximação científica às ciências sociais. Nela pesquisam-se as relações sociais e qual a forma de melhor as visualizar em contextos informáticos, (Ethan & Judith, 2004). Também para (Frascara, 1988) “O Design gráfico já tem tempo suficiente para o que seu papel na sociedade possa ser facilmente compreendido”. Porém, e de acordo com a mesma linha de raciocino de Buchanan, desenvolveu-se sem muita reflexão teórica, ao contrário da das artes plásticas, literatura, ou arquitectura. A sua prática profissional é complexa, e de forma fragmentada, com os esforços dispersos que visem o desenvolvimento de subáreas, tais como o design editorial, mas sem muita reflexão crítica como ocorre na literatura ou no diálogo que ocorre presentemente no domínio da arquitectura (Frascara, 2002).
O design, de forma geral, absorveu na sua prática quotidiana os modelos emergentes da estratégia da investigação-acção (McGill & Brockbank, 2004) tal como a entendida e denominada pelo seu proponente (Revans, 1978, 1980, 1983) aprendizagem-acção, em Inglês action learning. Esta estratégia radicalmente inovadora consiste num processo educativo onde cada participante reflecte sobre as implicações das suas próprias acções ou experiências, de forma interactiva, normalmente apoiada por um mentor ou coach em Inglês de maneira a poderem-se obter melhorias no desempenho. Embora parta de princípios semelhantes não é inteiramente igual às estratégias para aprender com as analogias ou os exemplos. Normalmente é praticada aos pares ou por equipas pequenas. Enquanto método é peculiarmente adaptado a adultos, pois a autonomia permite reexaminar as próprias acções com vista à obtenção de melhorias futuras. O reconhecimento da capacidade de funcionar bem em contextos como os da prática do design, onde ocorrem e coabitam múltiplas questões e que, não raras vezes, são antagónicas decorre da sua natureza multidisciplinar que contrasta com a aprendizagem científica centrada na apresentação do conhecimento.
A definição e especificação, de uma pesquisa, no âmbito do Design de informação, não são muito diferentes daquelas que são exigíveis num trabalho científico. A diferença reside sobretudo no tempo e nos requisitos normativos de uma pesquisa científica. Uma pesquisa em design não obedece aos protocolos que permitam uma replicação da investigação. Apesar disso cabe ao designer, operacionalizar de forma objectiva os elementos que intervêm no problema, uma dessas operacionalizações prende-se com o cuidado que deve ter na construção de uma amostra, pressupõe-se que se tenha em consideração os mesmos cuidados que teria um cientista social; uma amostra correcta é aquela que representa bem a população de onde provém,
“ (…) uma amostra dessa população, ou seja, de um conjunto de unidade, numa porção do total, que nos represente a conduta da população no seu conjunto.(…) quando uma amostra (… ) nos reflecte nas suas unidades o que ocorre na população chamamos-lhe amostra representativa”(Vilelas, 2009, p. 245).
Nas inúmeras investigações levadas a cabo no âmbito do design de informação e tal como num trabalho científico a é necessário obter informações de populações sem que necessite para esse efeito de auscultar exaustivamente até ao último dos seus membros (Garrett, 2002, pp. 46-57); (Laurel, 2003; Mandel, 1997, pp. 119-132; Shneiderman, 1987, p. 127).No entanto importa clarificar que habitualmente os dados provenientes dos estudos de mercado são insuficientes na medida em que a informação recolhida provém de clientes (Dijck, 2003, p. 62). E esses apenas caracterizam uma porção dos utilizadores, os que já compraram. Normalmente mostram dados descritivos e sócio-demográficos, e visam caracterizar e enquadrar o processo de utilização publicitária (Visocky O'Grady & Visocky O'Grady, 2006, p. 15). Porém a prática de investigação em Design de informação necessita, por sua vez, de dados que reflictam dificuldades de uso e tem por função adequar os objectivos com as tarefas.
Os questionários e as entrevistas aos utilizadores são métodos de investigação que permitem obter informações vitais, para tornar mais eficaz um projecto de design de informação. Estes instrumentos têm sido amplamente utilizados pelos sociólogos e psicólogos sociais (Ghiglione & Matalon, 1992). No trabalho científico, a entrevista é uma ferramenta que permite a quem investiga, entre outras coisas, obter informação em contexto de interacção. “A entrevista do ponto de vista do método, é uma forma específica de interacção social que tem como objectivo recolher dados para uma investigação.”(Vilelas, 2009, p. 279). Ao designer que utiliza a entrevista como forma de obter dados, sobre as tarefas e os objectivos dos utilizadores ou das suas futuras interacções, importa-lhe saber que dentro da multiplicidade de opções de investigação por ela permitida como se caracteriza:
 “A definição de entrevista como uma conversa tendo em vista um objectivo apresenta a vantagem de ser suficientemente ampla para englobar uma grande variedade de entrevistas possíveis, mas, em contrapartida, é muito vaga para permitir distinguir diferentes tipos de entrevista.(…)A distinção essencial(…)é entre a entrevista com um objectivo diagnóstico (…) e a entrevista «de estudo» que visa uma generalização. ” (Ghiglione & Matalon, 1992, p. 71)
Mais uma vez, tanto nos domínios mais científicos, como naqueles que pela sua natureza se apresentam como mais operacionais, como no caso do design, a procura de dados envolve técnicas semelhantes. A entrevista é uma delas. Um procedimento metodológico, fidedigno e com validade implica sempre cuidado e controlo com os erros que se cometem. O rigor implica por parte de quem questiona, a necessidade permanente de não interferir na percepção de quem é entrevistado. O facto de se adicionar mais informação numa pergunta pode consubstanciar-se numa orientação da resposta. Isto é o entrevistado não responderia da mesma maneira sem essa informação adicional. Logo, provavelmente, os que não foram expostos a essa informação terão opiniões diferentes e a posição que temos acesso pelo entrevistado é mais fruto da nossa indução do que uma caracterização das opiniões que eventualmente ele poderia representar.
À questão “existe uma forma correcta de colocar perguntas?” não é possível responder taxativamente, sim. Porque tanto os objectivos como as técnicas utilizadas são muito diversificadas. Podem no entanto separar-se a as funções, perguntar para obter respostas que permitam operacionalizar as variáveis ou para através delas medir a intensidade de uma atitude, de satisfação ou qualquer outro grau perceptivo. Na primeira das funções defronta-se a necessidade de recurso às entrevistas não-directivas, aqui o entrevistado é apenas estimulado ou então questionado com maior ou menor grau de insistência, para que os dados por ele fornecidos possam consubstanciar novas informações. Na segunda função, como o objectivo é o de obter pelas escalas de medida um valor, o instrumento que tem sido usado, mais recorrentemente, parece ser o questionário ou inquérito. (Ghiglione & Matalon, 1992, p. 2) definem-no desta forma:
“Um inquérito consiste, portanto, em suscitar um conjunto de discursos individuais, em interpreta-los e generaliza-los. Os problemas teóricos e metodológicos pela sua prática e pela sua utilização estão relacionados com estas características e só podem ser analisados relativamente a elas.”
Assume-se que formular questões correctamente é uma forma de obter soluções mais eficazes. Que perguntas devem ser feitas numa investigação, com vista à realização, por exemplo, de projectos de design de diagramas? De acordo com (Dijck, 2003, p. 46) no âmbito de uma investigação, focada no utilizador, as perguntas seguem uma orientação que consiste em saber-se; quem é a audiência, quais são os objectivos do proponente, qual é a melhor maneira da audiência atingir esses objectivos. As três perguntas, ou dimensões deixam transparecer os três intervenientes no processo de design; o proponente do projecto, o designer e o utilizador. À partida a maior fragilidade desta estratégia prende-se com a dificuldade que há num contexto empresarial, de justificar uma nova centralidade do projecto, isto é o utilizador passar a ser a audiência mais importante e o consumidor, sujeito central no marketing, ter um papel mais secundário.
A investigação em design não tem sido rica em estudos quantitativos. (Laurel, 2003, p. 17) refere que “O designer raramente participa no processo de investigação, que determina como e por quem o produto há-de ser produzido” . Em Portugal, as competências de base, em métodos quantitativos, necessárias para levar a cabo estudos aprofundados sobre problemas em design, são muito raras. Surgem no entanto algumas investigações sustentadas em métodos quantitativos no território do design (Araújo, 2009; Gomes, 2009; Simões, 1997; Vilar, 1995, 2004).


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